Resenha do livro 'A batalha de Tebas': uma obra que beira à perfeição

Atualizado: 18 de Ago de 2020

"A batalha de Tebas" é um romance escrito por Nagib Mahfuz, Prêmio Nobel de Literatura de 1988.


Resenhar um livro dele se apresenta quase como pretensão descabida, afinal, o que poderia eu criticar ou deixar de elogiar em uma obra beirando a perfeição? Sim. Perfeição. Ler essa preciosidade é um deleite para qualquer leitor que aprecia histórias desenvolvidas por um autor que atingiu a maturidade como artista da palavra. E nenhuma dessas palavras parece estar fora do lugar, nenhuma falta ou sobra, tudo se encaixa na magia da narrativa fluída e bela, que corre lisa e cativante do começo ao fim das 381 páginas da minha edição da Record de 2003. Destaque para a maravilhosa tradução de Ibrahim Georges Khalil, com a colaboração de Suely Ferreira T. Lima.


A história relata as circunstâncias da morte de Sekenen-Rá, o governador de Tebas, a capital da parte sul do Egito, hoje conhecida como Luxor. Na época, o Egito era dominado pelos hicsos, povo de origem obscura que se instalou em Mênfis por três dinastias.


Os egípcios consideravam Sekenen-Rá o verdadeiro faraó e os hicsos trataram de enviar uma força considerável para depô-lo. Nessa guerra, Sekenen-Rá perde a vida e sua família é obrigada a se refugiar na Núbia.


Durante dez anos em seu exílio, Kamus, o filho de Sekenen-Rá, envida esforços montando um poderio bélico que possa fazer frente aos exércitos inimigos e libertar sua gente do cruel jugo dos conquistadores, mas lhe carece o principal recurso: soldados.


A solução desse problema envolve enviar seu filho Ahmus, disfarçado como mercador, de volta ao Egito com a incumbência de recrutar o maior número possível de compatriotas para servirem na sagrada empreitada. Mas, logo no início da missão, o jovem aventureiro se apaixona pela deslumbrante Ameníridis e, qual não é sua surpresa quando descobre que ela é filha, justamente, de Apófis, o rei dos hicsos, de quem ele precisa conquistar a confiança se quiser atingir seus objetivos.


Essa paixão passa a ser o medo e a esperança de Ahmus e isso permeia todo o relato, contrapondo-se com as brilhantes descrições das estratégias e lutas que se seguem.


Sem sombra de dúvida, A Batalha de Tebas é o meu livro favorito e pretendo, literalmente, devorar todos os outros que esse brilhante artista produziu.


E vocês, já leram? Pretendem Ler? Deixem aí nos comentários.

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